O SUS passou a disponibilizar um serviço remoto de atenção em saúde mental voltado a pessoas que enfrentam dificuldades com jogos e apostas, especialmente nas plataformas digitais. A iniciativa é gratuita, atende maiores de 18 anos e também acolhe familiares e pessoas próximas que convivem com a situação. Todo o processo acontece pelo Meu SUS Digital.
A nova modalidade foi estruturada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, dentro do Proadi-SUS. A expectativa inicial é realizar cerca de 600 atendimentos por mês, com aporte de R$ 2,5 milhões para implantação e operação do serviço.
Por que o atendimento online?
Mesmo com o aumento expressivo das apostas no país, a busca por tratamento ainda é baixa. Em 2025, pouco mais de 6 mil atendimentos presenciais relacionados ao tema foram registrados no SUS. Técnicos avaliam que fatores como medo de julgamento, estigmatização e a dificuldade de admitir o problema afastam muitas pessoas dos serviços presenciais. O teleatendimento surge, portanto, como uma forma mais discreta e acessível de entrada no cuidado.
Caminho até o atendimento
O acesso começa pelo aplicativo Meu SUS Digital, usando a conta gov.br. Na área de miniapps, o usuário seleciona a opção relacionada a jogos e apostas e responde a um questionário de autoavaliação, desenvolvido com base em critérios científicos já utilizados no Brasil.
•Risco moderado ou alto: o sistema encaminha automaticamente para o atendimento remoto.
•Risco baixo: o aplicativo orienta a busca por atendimento presencial na Rede de Atenção Psicossocial, como CAPS ou Unidades Básicas de Saúde.
Como são as consultas
As sessões acontecem por videochamada, duram cerca de 45 minutos e integram planos de acompanhamento que podem chegar a 13 encontros. O cuidado pode ser individual ou em grupo, com participação de familiares quando indicado.
O atendimento é feito por equipes multiprofissionais, formadas por psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte psiquiátrico nos casos necessários. O modelo também prevê telemonitoramento contínuo e articulação com serviços presenciais do SUS, se houver necessidade de encaminhamento.
Parte de uma política maior
O teleatendimento integra um pacote de ações do governo federal para enfrentar os impactos das apostas online na saúde mental. Entre as medidas estão:
•uma plataforma nacional de autoexclusão, que permite ao usuário bloquear o acesso a sites de apostas autorizados;
•o Observatório Saúde Brasil de Apostas, voltado à integração de dados entre as áreas de Saúde e Fazenda;
•a criação de diretrizes clínicas específicas e de uma linha de cuidado nacional para pessoas com transtorno do jogo.
A Ouvidoria do SUS (136) também está preparada para orientar a população sobre o tema.
Rede fortalecida
O investimento federal em saúde mental quase dobrou nos últimos anos, passando de R$ 1,7 bilhão em 2022 para R$ 2,9 bilhões em 2025. Atualmente, o SUS conta com mais de 6,2 mil pontos de atenção em saúde mental, incluindo cerca de 3 mil CAPS em todo o país.
O transtorno do jogo é reconhecido pela OMS na CID-11 como um transtorno mental, e o desempenho do novo serviço será monitorado ao longo do tempo para avaliar se o atendimento remoto conseguirá, de fato, ampliar o acesso e alcançar quem hoje permanece fora da rede de cuidado.